Documentos recebidos pelo MP compravam conta de Cunha na Suíça



O Supremo Tribunal Federal abriu mais um inquérito contra o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, do PMDB-RJ. O Jornal Hoje teve acesso aos documentos que o Ministério Público Federal recebeu da Suíça e comprovam que Cunha tem contas nesse país.

No pedido de abertura de inquérito feito pelo Ministério Público Federal ao STF há vários documentos, inclusive com fotos do passaporte, de quatro contas bancárias abertas na Suíça por Cunha, para ele, a esposa e a filha.

Na conta da empresa Triumph SP, por exemplo, há uma cópia do passaporte de Eduardo Cunha. Na folha que registra o beneficiário efetivo da conta, aquele que controla os valores depositados nela, aparece o nome completo, a data de nascimento e o endereço dele na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Em outro documento, que autoriza investimentos, aparece uma assinatura que seria de Cunha, semelhante à que existe em seu passaporte.

Um detalhe curioso: as correspondências dessa conta não eram enviadas para o Brasil e sim para um endereço nos Estados Unidos. A justificativa dada é que "o cliente vive em um país onde não há um serviço postal seguro".

Em uma carta interna do banco, escrita em 2011, uma funcionária diz que Eduardo Cunha tem US$ 5 milhões em quatro contas: as principais são em nomes das empresas Triumph SP e a Orion. A terceira conta é para pagamentos de cartão de crédito e a última seria para um novo investimento, em 2012, quando, segundo o que está no formulário, um negócio na área de energia se desenvolver.

Nas outras contas também aparecem fotos do passaporte de Cunha, da esposa, Claudia Cordeiro Cuz, e da filha dele, Daniele da Cunha, e assinaturas do deputado. As contas eram usadas para pagar, por exemplo, aulas de tênis em uma escola americana e de inglês na Inglaterra. Quando o banco pergunta se o cliente está abrindo a conta no mesmo país em que tem negócios, a resposta foi que Eduardo Cunha "deseja trabalhar na Suíça".

Para o Ministério Público Federal, não há dúvidas de que Eduardo Cunha é o beneficiário efetivo das contas e controla o saldo depositado nelas. Para descobrir a origem do dinheiro, os investigadores rastrearam os pagamentos feitos no exterior pelo empresário João Augusto Henriques para Eduardo Cunha.

Entre junho e julho de 2011, João Augusto Henriques depositou 1,3 milhão de francos suíços, o equivalente a US$ 1,5 milhão, na conta Orion, de Eduardo Cunha, divididos em cinco depósitos feitos ao longo de um mês. Segundo as investigadores, a transferência foi feita semanas depois de a Petrobras pagar US$ 34,5 milhões pelos direitos de exploração de um campo de petróleo em Benin, na África. Depois desse negócio, João Augusto Henriques recebeu US$ 10 milhões de comissão.

Em março desse ano, na CPI da Petrobras, o presidente da Câmara disse que não tinha contas na Suíça: “Não tenho qualquer tipo de conta em qualquer lugar que não seja a conta que está declarada no meu imposto de renda e não recebi qualquer vantagem ilícita ou qualquer vantagem”.

As contas Orion e a Triumph SP foram encerradas no ano passado, depois do início da operação Lava Jato. As outras duas, a Netherton e a Kopek, foram bloqueadas em abril, com saldo de mais de US$ 2,5 milhões, o equivalente a R$ 10 milhões. A equipe do Jornal Hoje não conseguiu contato com o advogado de Eduardo Cunha.

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